O banquete

O banquete está servido
Sobre a mesa dos fortes e vitoriosos
E a bebida não bebida azeda
Sob a chama bruxuleante da verdade
Que é onde o medo escorre
Em fios de parafina quentes
Para depois endurecerem
Em surrealismo vermelho e insano.

Décimo sétimo arcano.
Mas estou longe da sua trincheira.
Será no firmamento ou mais acima
E eu descomeço se é você que termina,
Pensa-me general
Imerso em cartas, planos e estratégias
Ou será que não passo de soldado
Raso de coragem e à espera de ordens cegas,
Força maior que termine minhas guerras,
Ou surpresa de mina ou granada
Atiradas pelos inimigos, à traição,
Que arranquem
A parte mais direita do meu corpo
E faça-me livre para desertar.

Fui subtraído, eis o conflito,
Corpo todo e mais vinte e um gramas,
Abatido por artilharia invisível,
Nem guerra, soldado ou general,
Desejo o que não quero, o que quero desdenho.
Será que errei tanto se mirei no infinito?
Você já não conhece meus umbrais,
Minhas intenções e receios,
“Até nunca mais”?

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