Da Parafilia

Liberdade, igualdade e fraternidade, tríade canibalizadora do espírito que o devolveria mastigado e excretado na forma de impurezas, sobras da exposição excessiva e ação banalizadora, longe dos olhos da moral que já nascera decadente. O que é banal é também dessensibilizado e desprovido de valor. Assim, apesar da ilusão que faz do sexo um jogo sem regras, ele é mais sensato do que sonham as propagandas que afirmam o contrário.

Fruto da decomposição do instinto, o sexo hoje faz parte do ideário pornéico e fantasmagórico, é regido pela mímesis mecânica, fabrica contingências alegóricas em perspectiva distorcida e deixa claro que já não cabe a selvageria da intimidade de mostrar-se nu e sem fantasia, esta sim, a parafilia mais hedionda, não obstante, autêntica.

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