Finco bandeira em teu território
tua terra não tem limites, divisas ou muros
faço figa, eu rezo, eu juro
nosso amor não é comédia,
ardemos num calor maduro.
Divinas e gregas
os corpos são máscaras
que cobrem a nudez das almas.
Não as nossas.
meu corpo penetra tua alma
tua alma me excita a carne.
Sou o homem exato da tua mulher
tua fibra penetra meu músculo
saciar tuas vontades
é meu cante a palo úmido.
Seu grelo não é palavra feia,
escrevi-o em nobre opúsculo
esfrego-o, com reverência, creia!
Sim, sim e mais sim
tatuei seu nome bem aqui, ó,
apalpe e leia.
Luz, quero tua luz
sob tuas roupas de bom gosto
aprendo tuas gnoses em volumes cáusticos
nossos mamilos a suprirem
nossas línguas em palavras tácitas.
Escalo tua medianiz
por entre as colinas úmidas e escaldantes
chego à boca, brasa que não se apaga
sou alpinista de tua beleza épica.
Salto, tu galopas, despenquei…
Depois arrebento-me em orgasmos crônicos
outro começo, nova gênese
de nossos prazeres múltiplos!
Um dedo, dois?
Fura bolo, pai de todos,
mão inteira?
Inventamos tudo.
A rola tua a roçar-me o olho
Meu falo no teu rabo virgem
Vertigem!
Prelúdio para duas vozes
Afino teu diapasão,
Tu quebras minhas nozes
Nossos corpos não se cansam
Meu fogo é de homem
tua língua ferina me lambe
é um chicote
a fustigar minha glande.
Ausculto tuas mais profundas devassidões.
Gostas de cavalgar sobre mim, dentro de mim
minhas mãos em tuas ancas
tua batedeira planetária
remexe em mim fornadas de suspiros.
Teus caldos férteis
Tua sopa forte
Singro pelo oceano das das tuas coxas
atravesso teu delicado istmo
Penetro teu sul e teu norte.
Já não temos corpo
nossa alma é indivisível
nunca jamais no mundo houve
tal seara
Nosso prazer é de corpo e alma
eis nossa maior tara.
Quem disse que só os corpos se entendem?
