Sonhei que árabes perseguiam-me em paris
Eu, o selvagem estrangeiro
Ameaçava a todos, corpo e alma brasis
Revirei no travesseiro
Em Los Angeles aqueles malditos latinos
Esfregam-se, sujos, pisam e queimam bandeira
Exibem a louça, os caninos
Cá estou, gota de ódio derradeira
Londres não me acolheu
Muçulmanos indianos, lordes em marcha
Politeísmo monista, julgavam-me ateu
Decapitavam-me, queimavam-me em praça
É fácil descascar a civilização
Basta a fome, a falta, uma mulher, um medo
Tenho couro de réptil, instinto e coração
Contra a fina plumagem daquele passaredo
Ajoelho-me em ato de adoração
Sem pátria ou bandeira, fé, governo ou mestre
Subo as escadas do prazer: única oração
Meio que sem rumo, norte ou leste
Nascem as feridas da procissão
Meu sangue é azul dentro do teu ventre vermelho
Não vejo espíritos na sessão
Mas penetro teu corpo de joelhos