Cansa-me o descanso do meu próximo,
A alegria dele é peso e gravidade.
Mas que poesia é essa?
Longe dos concertos, medra ao contrário…
Nunca houve um único verso
Escrito sem o suor do corpo,
Jamais existiu palavra,
Senão das carnes entranhadas,
Na caturra do sangue,
Na lambida pura da terra.
O ritmo, o metro, o objeto,
Estão a 5 minutos do intelecto,
Estrada contrária, caminho de volta.
É pra quonde estou.
Quem quiser, que continue com sutilezas,
Macaqueando letras de consertar o mundo.
A 3 horas do espírito,
A 6 quilos da alma,
A 7 encruzilhadas de qualquer evolução,
Em vida avessa
Que coze a poesia espessa.
Alma não existe.
É só uma palavra
Para alguns cabelos e unhas que cresceram demais
