A experimentação e investigação dos limites, o culto idólatra do excesso, a satisfação das demandas crescentes, em parte impressas nas necessidades do mercado pornográfico, e, enfim, os insondáveis sabores do ser, cada qual na sua ânsia de gozo expandem a noção do que é pertinente e relativizam o diálogo entre saudável e criativo e o que pode ser perigoso e degradante.
Fantasias, fantasmas e imaginação. Sim, o português errou, ignorou o sol que se escamoteava debaixo das vergonhas rapadas das índias e cobriu a gostosa nudez nativa com a roupa do pecado culposo. O propósito desses nobres navegadores, conhecedores de terras e céu, foi o dolo de isolamento dos desejos abomináveis da besta fera fora de controle. O sexo foi demonizado definitivamente à vontade do deus civilizado, nomeado, classificado e violentado pela língua dominadora e submetido à condição de estrangeiro dentro do próprio ser.
