Céu, onde estrelas brilham mortas, passarela dos astros em caos
Ou o mar, berço de covas profundas
De onde liras acompanham a poesia afogada dos poetas mortos
E piras apagadas dormem o eterno sono azul.
A música submersa em água, silêncio e sal,
Escolhe a calma final do fundo e despreza a superfície.
Naufrágio de naus, lar de corações, corais e coragens,
Amores de cabotagem, fantasmas de pescadores.
Minha terra não contempla mar. Garrafas vazias.
Mas há pedras muitas na minha terra…
E as pedras nunca estão sozinhas.
A música triste do fracasso cala
Na alegria reclusa e breve de cada pausa fusa, poeta e musa.
Colcheias do silêncio de Beethoven.
