Foi encontrada num tambor de lixo e levada ao hospital por aquela mulher de rua. Boca, língua e garganta brilhavam e exalavam um cheiro forte de barata. Após lavagem estomacal mostrou-se inacreditavelmente saudável, uma criança normal, não fosse ter dito com voz de barítono “Meu nome é Napoleão”.
Grande quantidade de insetos retiraram do seu estômago, e, recém-nascida, já andava pelos corredores, às vezes conversando como gente grande, outras caia sobre o cueiro e resmungava, arregalando os olhos grandes e negros. A equipe de saúde também documentou a ausência de orifícios, salvo os de respirar e a boca. Quando conversava parecia falar dialeto primitivo mas então perceberam que não usava nomes ou pronomes, completando com desenhos os quais fazia no ar com as mãos ou com a dança do corpo. Depois da quarta vez desistiram de limpar seu estômago porque, por mais que limpassem, sempre encontravam-no cheio de novos bichos.
Algum tempo depois observaram que Napoleão não crescia e as roupinhas que lhe doaram teimava em usá-las no avesso, costuras à mostra. A imprensa a assediava mas era ligar as câmeras e aparecia só a criança. Quiseram batizar. Famílias abastadas disputavam sua educação fazendo alvoroço. Tentativas frustradas. Foi então que Iyami-Ajé manifestou egrégora de luz que cegou os que achavam que viam. Fração de tempo e Napoleão já não estava entre eles.
