Fechou a boca para encarcerar o riso, mera alegria vadia, nunca mereceu gozar destes apetites. O sorriso quer trabalhar, sair, cumprir seu destino, quem o estrangule ou o engula sem pagar o preço, o sorriso subiu face acima e ardeu no nariz, lacrimejou nos olhos até ferver dentro do crânio uma dor insuportável. Trepanação inevitável.
O cego vê no tato, ouvido e olfato
Semente só medra se ao cabo
Sucesso só ocorre por ocaso
Aquele meu olhar de lado que você gosta, tímido quase, sorrindo, quando surpreendido em desvantagem. Sincero, ma non troppo.
Aquele seu morder a língua entre risos, ob-repticiamente, depois de ter-me dito alguma provocação. Os olhinhos riem à vontade. Infalível, sou desarmado.
