Pedra, talvez seja de pedra,
talhado em pedra,
inteira pedra a imagem inteira em obra pétrea,
nos corações de pedra,
a pedra oculta no homem de areia
que escoa e passa e some
e morre e fiz de conta
e não fizeste conta
que no final das pedras…
Jurei sobre leis de pedra,
implorei, venerei,
cortei meu coração em versos,
ajoelhei em idolatria e adorei teu corpo santo:
minha cláusula pétrea
e novamente apareço
em teus versos, não um homem
mas menino sempre e vário,
despencando dos abismos
do alçapão das tuas rimas
enganosamente simples e que levam ao infinito.
Pedra é dura,
pedra dura
e também quebra
e demora
e também muda
e também chora
e chega ao fim.
Dentro de ti acreditei
que não havia limites na poesia
e que eu poderia rir até das pedras,
rir da má sorte,
rir de Deus e do diabo,
rir dos mortos.
Nos teus poemas
não risco os céus como cometa
nem a terra com espada flamejante
e sou sempre um pedinte,
fraco mendicante,
eu, gravado em pedra,
e não serão juras ou a cura
deste meu corpo de pedra,
e serei sempre o homem de areia
e serei sempre a meia medida que escorre
para a vida que imaginaste inteira
ou talvez eu seja a pedra que chora
um choro duro e seco que machuca
e que escapa das rimas da tua poesia.
