Tarde, já é tarde
O sol foi posto pelo demônio do meio dia
Há sede de tormentos
A água jorra, mas acabou
Na fonte brotam ovos de serpentes
Peçonha em poções de amor
Maçãs ligeiramente envenenadas
Rastejam os seres sedentos de vida
Mas, a sensação persecutória
Consomem seu desprazer
Só o que lhes sobra do viver
As lavandeiras não viram
As banhistas nuas ignoram
Entretidas pelos próprios corpos joviais
Os pescadores estão longe demais
Quase ninguém vê as crianças afogadas
Arrastadas sob o espelho da águas
Com os olhos abertos, suplicando
Água escura, espelho turvo, noite suja
Ninguém pode ver mortos além do espelho
Mas eles estão lá