E hoje é domingo,
O amor desprega dos sonhos,
Da noite morta que voa pela janela,
E o cão acorda faminto,
E a noite rosna de fome,
O amor é um cão com fome
Nesta noite de fomes
Que a si mesmo come.
E o futuro espera,
E o futuro espia
Detrás da fresta da poesia.
O amor cortou a memória
Como a metáfora fez o verso,
Amar é dividir, cortar verso,
Que na memória pesa mais que o objeto.
É a festa do bode
Que procura desesperadamente a cabra
Que colecionava homens
E hoje, palavras.
E acorda no jardim de livros,
São flores mortas, secas, sombras,
E um velho acorda
A passeio.
O amor passou,
A vida não sossega:
É só a morte que ainda não veio.
