Pulou do ônibus ouvindo risinhos atrás de si. Quase não se conteve, lembrou-se da bíblia, da mulher de Lot. Sentiu um líquido espesso escorrendo pela perna e abaixou a cabeça, entre a humilhação e os engulhos, enquanto o coletivo dobrava a esquina.
O resto do caminho fez a pé e chegou a tempo de atender a última cliente do dia: mãos e pés.
O alicate de unhas obedecia com precisão cirúrgica. Pensativa, observava o instrumento de metal reluzente, afiado para cortar e perfurar.
Naquela noite teve sonhos estranhos com livros de ciências e desenhos da anatomia masculina: corpo cavernoso, uretra, glande, corôa… Glande, parte dotada de extrema sensibilidade.
Na manhã seguinte o coletivo estava cheio, como sempre.
