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Quase Nem Ex-isto

Ai de mim que me espero à toa,
Meu calor é o suor sobre tua imagem revelada:
Alquimia mística de bruxa,
Imaginação frouxa que segue e voa,
Tuas fábulas, minha história encantada.
Escalo teu abismo,
Não sou máquina e abomino atletismos de amor.
Não desempenho, meu falo não fala grego,
Sem máscaras, teatro não tenho
Antes do Alfa eu venho…
… e vou para além do Ômega,
Para Pasárgada, Atlântida, Galáxia de Andrômeda,
Paraíso Perdido, Avalon, Estrela da Morte.
Não me espero, todavia, nada é vão
E saio de mim, afasto-me de outra via.
Viver tua vida minha, eis o cais.
Desdenho as performances sexuais,
Teu corpo é vivo e arde,
Meu amor não é mambembe,
De gestos pobres ou teatrais.
Ai de mim, ais!
Apaguei o tempo, pistas e rastros,
Já nem me quero mais,
Só em ti espero e basto.
E este tempo que nos contém
É um cão hidrofóbico, baba de raiva, olha triste,
Mas já não come.

O tempo coa, olha: a mão que planta, colhe.
Brisa da tarde, refresco, sente,
Inesperadas surpresas,
Embrulhadas no presente.

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